


A Geopolítica do Sagrado: O Fim da Invisibilidade
- O Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, em Brasília,
nãoserá lembrado tanto pelos números recordes de participação, quanto pela consolidação de uma frente geopolítica sem precedentes: a aliança estratégica entre o MUPOIBA (Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia) e o FONSANPOTMA (Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Povos Tradicionais de Matriz Africana). Juntos, Povos Indígenas e POTMA, entoaram uníssono o brado contra o “Marco Temporal” e a favor do “Marco legal”, compreendendo que a cerca que isola a aldeia é a mesma que tenta asfixiar o terreiro. A luta por direito é o cerne do Pacto: Vida, terra, território, territorialidade, Soberania Alimentar, dignidade. - O PACTO entre os Povos Indígenas e os Povos Tradicionais de Matrizes Africanas reafirma a união, o respeito à diversidade e a sobrevivência construída no passado e no presente, também como expressão de conjunção espiritual. Trata-se de caminhar lado a lado e afirmar que território não é negócio: território é vida. Defender a demarcação é defender o futuro das próximas gerações e garantir reparação histórica pela expropriação dos povos indígenas e pela negação do direito ao território dos povos de matriz africana. Marco é ancestral!
- Assim como o Marco, o Pacto é Ancestral. Nascido nas bases do ATL Bahia e reafirmado sob o sol de Brasília, o pacto é uma resposta à tentativa do Estado de congelar o direito à terra em 5 de outubro de 1988. Como bem descreve a Carta Política do encontro, aceitar esse marco é ratificar o espólio colonial e ignorar que os Povos Tradicionais de Matriz Africana (POTMA) e os Povos Originários habitam este solo muito antes do projeto de Estado-Nação chamado “Brasil”. A luta é pela saída da “Zona do Não-Ser”, conceito de Frantz Fanon evocado para descrever o limbo jurídico onde o racismo ambiental e religioso tenta confinar as vidas não-brancas.